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Estante repleta de livros em formato circular.

Desde o surgimento das sociedades, livros e escritos são desenvolvidos para contar histórias, gerar ensinamentos e relatar acontecimentos. O poder da literatura surge, desde o início, como fonte de aprendizado, proporcionando contato com o novo e eternizando narrativas (como é o caso dos contos de fadas, que saíram do oral e se tornaram obras clássicas na infância de muitas crianças).

Uma coisa é certa: a literatura forma crenças, constrói relações sociais e firma padrões. Além disso, trabalha na contramão, questionando cada um desses pontos para que partamos para uma mudança quando necessário.

Para entender melhor o poder de transformação da literatura e seu papel na criação de um novo futuro, continue a leitura do texto!

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Afinal, o que é literatura?

Essa é uma pergunta complexa e aberta para inúmeras respostas. Durante a formação escolar, a literatura é uma matéria que reúne estilos, obras e escritores que constroem a arte literária por meio da linguagem – seja ela verbal, visual, oral e, às vezes, todas elas ao mesmo tempo, como acontecia no Modernismo. É, também, considerada parte integral de uma educação de qualidade e do acesso à cultura.

Há muito tempo, Aristóteles, em seus estudos, teorizou que a literatura é a técnica aliada à imitação. Para ele, a arte literária se restringia apenas à poesia encontrada nos gêneros líricos. As análises do filósofo, todavia, deixaram de lado outros fazeres literários, de forma que, com o tempo, estudiosos começaram a repensá-las. 

Para Antonio Candido, teórico moderno do tema – e um grande nome da teoria literária no Brasil –, a literatura é um direito de todos ao mesmo tempo em que é um convite à imaginação, aos sonhos e à vida. O autor ainda afirma que ela é uma necessidade universal, um mecanismo de instrução, um desmascaramento capaz de denunciar e apontar restrições e negações de direitos. 

Para muitos, a literatura é uma forma de escape aliada à descoberta de novas realidades. Há ainda quem acredite que ela é um ato político, de forma a evidenciar problemas sociais. Os amantes da leitura certamente concordarão que sempre é uma oportunidade de aprendizado.

Homem passando a página de um livro com capa azul.
As definições de literatura são inúmeras porque, como uma arte plural, os estudos sobre ela estão sempre se renovando.

A maneira mais simples de defini-la, provavelmente, seria afirmar que a literatura é a manifestação artística por meio e com as palavras. No entanto, as filosofias e teorias sobre o assunto parecem que não acabar – e possivelmente nunca acabarão.

Isso porque, além de estudos, de aprendizados, de sonhos e de denúncias, a literatura é uma forma de transformação pessoal, social e coletiva, necessária enquanto o mundo existir, já que nos faz refletir sobre quem nós somos, consolida histórias e desperta possíveis mudanças. 

O poder da literatura está ligado, inclusive, à pluralidade com que ela pode ser interpretada e compreendida. A sua força vem da abertura de entendimentos.

Qual o papel da literatura?

Essa é uma pergunta tão plural quanto a anterior. Existem pessoas que dizem que a literatura não serve para nada e, justamente por isso, ela seria útil para tudo, um pensamento paradoxal que ilustra como estar livres de serventias a torna capaz de atender muitas pautas.

Marina Cabral da Silva, em seu artigo para a revista Brasil Escola, afirma que, como a arte da palavra, a literatura é um instrumento de comunicação e de interação social que verbaliza conhecimentos e culturas dentro de determinada sociedade. 

Essa é uma explicação interessante e que se encaixa bem, por exemplo, na literatura de marginalizados, que dá voz para grupos que foram, por muito tempo, calados (como os negros, os imigrantes, os LGBTQIA+, as mulheres e vários outros).

O papel da literatura também pode estar relacionado à função política-social de descrever, criticar, ironizar e até satirizar problemas sociais. Para Aristóteles, em seus estudos, ela possuía um encargo catártico, relacionado à liberação de sentimentos e emoções.

M]ao segurando vários livros.
A variedade de livros permite que a literatura cumpra vários papéis na vida de cada leitor.

Já em algumas escolas literárias, como o Parnasianismo, a literatura esteve muito relacionada à função estética, que exalta o “belo” por meio de jogos de palavras e pela criação de imagens a partir de símbolos.

Além disso, alguns materiais possuem um papel relacionado à cognição, expondo conhecimentos e aprendizados. Cada um desses propósitos se encaixam, de alguma forma, no caráter lúdico da literatura, que visa entreter, relaxar e envolver o leitor.

O papel da arte da palavra se aproxima muito, como você provavelmente notou, das tentativas de explicar o que é a literatura. Isso porque os pontos estão bastante relacionados: a teoria que a define acaba influenciando sua função dentro da sociedade.

Independentemente da classificação e do papel que a literatura tenha para você – inclusive, ela pode ser entendida individualmente como mais de uma definição –, a conclusão possível é uma só: ela transforma.

Às vezes, ela muda a monotonia em diversão. Outras, altera nosso pensamento, mostrando-nos como estamos em processo de aprendizagem diariamente. Sempre, alguma pecinha dentro de nós é transformada. Ninguém “sai” de um livro da mesma forma que “entrou” nele, e por isso a literatura é tão importante.

Os livros e seu papel fundante

Para o dicionário, “fundante” é um adjetivo para aquilo que serve de base ou pode ser usado para a construção de algo; aquilo que é fundamental.

Quando dizemos que livros possuem papel fundante, olhamos para as obras literárias como necessárias e essenciais. Para entender esse ponto, é preciso olhar para tudo que foi descrito: do caráter educacional ao crítico e lúdico por trás da literatura. 

Compreendendo os livros dentro de sua pluralidade, conseguimos identificá-los como fundamentais para transformação, para tomada de consciência e para criação de novas realidades.

Isso porque a literatura pode ser entendida como um espelho da vida e, a partir disso, tornar visível problemáticas que não conseguíamos enxergar. Em seu ensaio nomeado “A decadência da mentira”, Oscar Wilde teorizou que “a vida imita a arte” para ilustrar a capacidade de conscientização por trás da expressão artística.

Professora lendo para um grupo com diversas crianças negras.
Os livros possuem a habilidade de transformar sociedades, representando existências e levando ensinamentos para a vida.

Os livros, ao construir narrativas e educar pessoas, conseguem ir para além da redação e nos fazer ressignificar sociedades, interações, convenções e atitudes pessoais. Por isso, possuem papel fundante dentro da vida de cada um.

Teóricos, filósofos e pensadores já salientaram inúmeras vezes como o ser humano precisa de arte para se entender como indivíduo, fato atingido graças às funções plurais da arte (política-social, catártica, estética, cognitiva e lúdica). Ela é um lembrete de como estamos vivos e conseguimos tocar, emocionar e mudar o mundo. Logo, sendo os livros o fruto da literatura, eles são mecanismos para a realização desses pontos.

Diversidade de literaturas

Quando falamos em literatura, é comum associarmos o termo com romances, contos e narrativas, quando não o restringimos à sua variação clássica (como os livros encontrados nas escolas literárias).

No entanto, restringir o fazer literário a isso é um equívoco, visto que ele é plural. Quando falamos da arte da palavra, também nos referimos a poemas, ensaios, filosofias, teorias, quadrinhos, entre outros. Independentemente do estilo e da classificação, ela impacta e transforma sua vida, seja divertindo ou ensinando. 

Se você é fã de literatura lúdica, por exemplo, está tomando um ato de autocuidado ao consumir algo que te dá prazer. Caso prefira livros sobre política, está aprendendo e se conscientizando. Na hora de analisar seu gosto literário, é importante se lembrar que não existe um “melhor” e um “pior”, já que o importante é como a arte faz você se sentir!

Livros que mudam o mundo

Durante a história da humanidade, existem obras que causaram um impacto no mundo e deixam, no presente, sua marca. Conheça algumas delas!

Bíblia

Independentemente de crenças religiosas, é um fato que a Bíblia influencia a história da humanidade, visto que dita, ainda hoje, convenções sociais, éticas e morais ao redor do mundo. Sua importância é tal que foi o primeiro livro a ser impresso por Gutenberg, quando inventou a prensa com tipos móveis e que facilitou a reprodução de livros.

Epopeias

Estátua de Dante Alighieri.
Estátua de Dante Alighieri, escritor da Divina Comédia, uma das grandes epopeias escritas no mundo.

A Odisseia, A Divina Comédia e Os Lusíadas são exemplos de obras literárias consideradas epopeias da humanidade. Elas influenciaram a literatura como um todo, deixando sua marca na poesia, nas narrativas heróicas e nos romances.

Alice no País das Maravilhas

Provavelmente, Alice é um dos livros mais famosos na literatura, tanto no estilo infantil quanto filosófico, por ser escrito com camadas de interpretação. É uma homenagem à imaginação e à capacidade de criar mundos repletos de magia, que afetam crianças e adultos, graças às habilidades filosóficas e fantasiosas de Lewis Carroll.

O Tao da Física: Uma análise dos paralelos entre a Física Moderna e as Filosofias Orientais

Uma obra sobre as semelhanças entre conceitos da física quântica e as filosofias e práticas do Oriente, O Tao da Física foi escrito por Fritjof Capra, autor que torna acessível teorias de átomos e componentes.

Para além da relação entre física e filosofia, o texto de Capra cria um quadro do mundo material como um conjunto harmonioso, orgânico e sistêmico. Na obra, entendemos como ciência e o mundo sutil estabelecem uma dança da qual todos somos partes integrantes.

Sapiens – Uma breve história da humanidade

Escrito pelo doutor em história pela Universidade de Oxford, Yuval Noah Harari, Sapiens é um livro sobre como os seres humanos são capazes de criar obras de arte, tecnologia, guerras, dinheiro e outros itens que só existem para nossa espécie em toda a cadeia natural.

Ao mesmo tempo em que expõe críticas sobre a espécie humana e os sistemas por trás dela, Harari cria um relato incrível sobre como fomos de primatas a senhores do mundo ao abordar a história da humanidade sob uma perspectiva inovadora.

Design de Culturas Regenerativas

Este livro é um dos grandes títulos quando o assunto é cultura regenerativa. Nele, Daniel Christian Wahl dialoga sobre por que a humanidade deve continuar existindo e qual a melhor maneira de atingir esse feito.

Por meio de perguntas-chaves, Wahl apresenta a visão sistêmica, projetos colaborativos e ferramentas inovadoras para mudar nosso estilo de vida e para vitalizarmos ecossistemas naturais e econômicos. 

Orgulho e Preconceito

Escrito por Jane Austen, Orgulho e Preconceito é uma obra de uma mulher em tempos nos quais era rara a presença feminina na literatura. Esse fato e a narrativa do livro – sobre uma jovem adulta que se nega a entrar nos estereótipos de gênero do século XVI – fazem desse livro um dos marcos do feminismo e da crítica feminista na literatura.

Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 é uma das distopias mais famosas no mundo. A narrativa conta a história de Guy Montag, um bombeiro que deve incendiar obras literárias em um mundo no qual livros são proibidos.

O alarmante do título é sua relação com os tempos modernos, visto que, durante a história, observamos uma sociedade cada vez mais focada em telas, na qual a literatura é considerada crime.

Ao lado de outras distopias que se mostram possíveis (como 1984, escrito por George Orwell, e Admirável Mundo Novo, redigido por Aldous Huxley), Fahrenheit 451 é uma leitura indispensável para pensarmos os caminhos do mundo que estamos construindo.

Certamente, essa lista se estenderia por muitas obras, afinal, são inúmeras as narrativas que influenciaram e influenciam, ainda na atualidade, as pessoas. Cada uma à sua forma, elas destacam o poder de criação e de transformação da literatura. Educam, fazem pensar, transportam para lugares novos e criam universos que podem se tornar realidade.

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